Menu fechado

IPCA-15 acelera para 0,89% em abril, mas fica abaixo do esperado

SÃO PAULO, 28 abr (Reuters) – O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial, subiu 0,89 por cento em abril, sobre alta de 0,44 por cento no mês anterior, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pesquisa da Reuters com economistas estimava alta de 1,00 por cento para o período.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), a prévia da inflação do Brasil, subiu 0,89% em abril, conforme apontou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (28). O resultado representa uma aceleração forte em relação a março, quando foi registrado uma alta de 0,44%.

 

Apesar da aceleração, o número veio abaixo do esperado e pode trazer bom humor para o mercado hoje. A projeção mediana das instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data era que a alta seria de 0,97%. As estimativas iam de um avanço de 0,70% a uma alta de 1,11%.

 

É importante lembrar que a meta perseguida pelo governo para o IPCA é de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Isso significa, portanto, que os 4,37% atingidos nos últimos 12 meses estão se aproximando do limite tolerável. Ainda que o IPCA-15 não seja a inflação oficial, ele ajuda a trazer pistas de como o IPCA se comportará.

 

Diferença do IPCA-15 para o IPCA

 

Apesar de ser conhecido como “prévia da inflação” por supostamente antecipar o IPCA, o IPCA-15 mede nada mais, nada menos do que a própria inflação mesmo, só que em outro período.

A diferença prática em relação ao IPCA é que a “prévia” mede a inflação dos dias 15 de um mês e outro, enquanto a inflação “oficial” mede a variação do mês início ao fim daquele mês fechado.

 

Como a inflação mexe com a minha vida?

 

Quando a inflação está muito alta ou acelerando de forma rápida, o instrumento que o Banco Central usa para conter esse avanço é a Selic, a taxa referência para os juros no Brasil. Portanto, o BC aumenta os juros para encarecer o crédito às empresas e às pessoas e, dessa forma, conter o consumo e frear a inflação.

O mesmo acontece no cenário oposto. Se a alta dos preços está sob controle, a autoridade monetária pode cortar os juros (ou seja, “baratear o dinheiro”) para incentivar que as empresas e as pessoas voltem a gastar sem que isso comprometa o bolso delas. Portanto, é um estímulo para a economia aquecer.

 

Uma guerra no meio do caminho…

 

O problema é que agora há, ainda, uma guerra no meio do caminho. Além das óbvias consequências humanitárias desastrosas que um conflito entre países traz, ele também tem ajudado na escalada do petróleo, que acende um alerta global.

Isso porque o Irã é um dos maiores produtores da commodity do mundo e controla o estreito de Ormuz, um dos principais pontos de distribuição do produto que está fechado a mando dos iranianos. Portanto, uma guerra envolvendo o Irã pode afetar não só a produção, como a distribuição do petróleo. Assim, o preço da commodity vem subindo devido à oferta menor.

 

Como o petróleo é base para combustíveis e para o transporte de praticamente todos os produtos, quando o barril sobe, empresas pagam mais caro por gasolina, diesel e energia, o que encarece a produção e a distribuição de muitos itens, desde alimentos, roupas e outros bens. E para manter suas margens, essas empresas repassam esses custos ao consumidor final. Como o petróleo também influencia o preço de plásticos, fertilizantes e diversos insumos industriais, o efeito se espalha por toda a economia, pressionando os preços em geral e aumentando a inflação em nível global.

 

 

Qual é o cenário agora?

 

Atualmente, o Banco Central cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, levando a taxa para 14,75% ao ano. O corte foi mais brando do que o mercado esperava no começo do ano justamente por conta da guerra no Oriente Médio.

Portanto, os investidores monitoram a composição do IPCA-15, à procura de evidências de que a inflação de itens mais resistentes ao ciclo de alta de juros melhorou para decidir o tamanho e a intensidade da queda da Selic.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *