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Veja como investir após corte da Selic para 14,75% em meio à guerra

 

Apesar do Banco Central cortar os juros pela primeira vez em quase dois anos, o conselho de boa parte dos estrategistas de investimentos é manter a maior fatia da carteira em papéis de renda fixa que acompanham o CDI ou a Selic e esperar para comprar ações. 

 

estrategistas de investimentos é manter a maior fatia da carteira em papéis de renda fixa que acompanham o CDI ou a Selic e esperar para comprar ações. O ambiente para investir mudou totalmente após a escalada da guerra no Oriente Médio e o salto no preço do petróleo. A indicação agora é aumentar o conservadorismo.

 

Já no Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central cortou a Selic, a taxa referência para os juros da economia, em 0,25 ponto percentual, de 15% para 14,75% ao ano, um corte menor do que o previsto antes, mas que a maioria do mercado passou a projetar na última semana.

Contudo, para decidir como investir, é mais relevante olhar para as expectativas para os juros do que para as taxas neste momento. E as expectativas mudaram muito desde a eclosão da guerra no Oriente Médio. Com o salto dos preços do petróleo e as incertezas sobre os efeitos sobre a inflação que virão, economistas passaram a prever que os juros nos Estados Unidos continuarão inalterados pelo menos até o fim de 2026.

No Brasil, uma dose extra de cautela foi incorporada nas projeções. A mediana das estimativas dos economistas para os juros no fim do ano aumentou depois do início da guerra entre os Estados Unidos e o Irã. A previsão subiu de 12% no começo de março para 12,25% nesta semana, mostra o Boletim Focus da última segunda-feira (16), divulgado antes da comunicação do Copom.

A mudança parece pequena, mas a rapidez com que as projeções estão mudando indica que a incerteza sobre o futuro é alta. O ambiente é de aumento das preocupações com a inflação global, provocado pelo salto do preço do petróleo para US$ 100 o barril após a escalada da guerra no Oriente Médio.

O conflito eleva os riscos para o fornecimento global de petróleo, principalmente porque a região abriga o Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes do mundo para o transporte da matéria-prima. O estreito foi interrompido e, se seguir assim, a inflação segue pressionada, porque os combustíveis como gasolina e diesel ficam mais caros, o que aumenta os custos de transporte e de produção em praticamente todos os setores.

“A guerra no Irã e o petróleo rondando US$ 100 o barril nos deixa preocupados com a inflação no mundo. Não sabemos por quanto tempo o Estreito de Ormuz vai seguir interditado”, afirma Luciano Telo, executivo-chefe de investimentos para o Brasil no UBS Global Wealth Management, a divisão do banco dedicada à gestão de fortunas.

“O choque no petróleo pode durar um ou dois meses e ser temporário, ou pode durar seis meses ou mais e ser permanente. O horizonte não está claro, e é por isso que as expectativas para os juros estão mudando tanto”, diz.

Papéis que acompanham CDI ou Selic são preferidos

 

Nesse ambiente, a expectativa é que os juros no país recuem, mas sejam cortados mais devagar e parem em um nível mais alto do que era esperado antes. Nesse cenário, Telo acha que os papéis de renda fixa que acompanham o CDI (como CDBs, LCAs e LCIs) ou a Selic (Tesouro Selic) são os mais atraentes agora, porque devem entregar remunerações mais altas que os demais títulos, com risco baixo.

A guerra não vai impedir o ciclo de cortes de juros, mas a redução da Selic vai ser mais lenta e menor, na análise de Marco Mecchi, diretor de investimentos da gestora de patrimônio Azimut Brasil Wealth Management. Nesse ambiente mais turbulento, ele também avalia que a maior parte da poupança das pessoas físicas deve ficar em papéis que acompanham o CDI ou a Selic.

Juros dos papéis prefixados aumentaram, mas cuidado

Contudo, Mecchi destaca que os juros dos papéis prefixados e dos títulos que acompanham a inflação subiram com a expectativa de de um ciclo de cortes de juros menor. Atualmente, os papéis prefixados do Tesouro Direto oferecem pagar perto de 14% ao ano, e os que acompanham a inflação, ao redor de 7% mais a inflação ao ano.

O diretor da Azimut enxerga uma oportunidade de comprar esses papéis com taxas mais altas, mas faz uma ponderação: eles devem ser uma fatia pequena da carteira, porque são mais arriscados, especialmente neste momento. “Se a guerra demorar mais tempo para passar e o Banco Central encerrar as reduções da Selic antes do esperado, o investidor vai ganhar mais nos papéis que acompanham a Selic do que nos títulos prefixados e atrelados à inflação”, afirma.

Vale uma observação aqui: os papéis prefixados e que acompanham a inflação são mais voláteis que os que acompanham o CDI ou a Selic e eventualmente causam perdas se resgatados antes do fim do prazo de vencimento. Aos investidores que não querem esse risco, o conselho é comprar pensando em retirar só no vencimento.

Conheça seus objetivos e perfil de risco

João Arthur, diretor de investimentos da Suno Consultoria, destaca que a alocação do investidor precisa ser pautada mais pelos seus objetivos e perfil de risco do que pelo cenário econômico. “Um investidor que se pauta pelas mudanças de curto prazo vai sempre mexer na carteira e se equivocar”, afirma.

Com essa cabeça, Arthur aconselha que o dinheiro de longo prazo vá para papéis que acompanham a inflação, pensando que as taxas desses títulos variam menos conforme as expectativas para os juros. O diretor da Suno também indica comprar ações para o longo prazo, desde que o investidor tenha estômago para aguentar as oscilações dos preços que virão.

Além disso, ele alerta que não compensa correr muito risco em títulos de renda fixa emitidos por empresas e em fundos que investem nesses papéis neste momento.

“Estamos bem seletivos com investimentos de crédito privado, que estão com risco muito alto e oferecendo pouca remuneração adicional. Mesmo nos títulos de baixo risco, como antigamente eram os papéis da Raízen, o risco não é tão baixo assim e o pequeno retorno acima do CDI não vale a pena”, diz.

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